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Mulheres negras empreendem mais por necessidade que as brancas

Foto: Agência Brasil

O glamour do empreendedorismo só está presente na experiência de uma pequena parcela dos brasileiros e, certamente, não são os negros e especialmente as negras que o vivenciam. Pesquisa feita pelo Sebrae, a pedido do jornal Folha de S. Paulo, constatou que 49% das empreendedoras negras no Brasil abrem seus negócios por necessidade, enquanto que esse percentual é de 35% entre as brancas.

Ao contrário de quando o empreendedor abre um negócio por oportunidade, esse tipo de empreendedorismo por necessidade tende a ser mais precário e menos planejado. Mulheres pretas e pardas, ou seja, as negras são quase 60 milhões de pessoas, 28% dos brasileiros, segundo o IBGE. As mulheres negras somam 17% dos empreendedores brasileiros e ganham menos que todos os outros grupos, o equivalente a R$ 1.384 por mês. Empreendedores brancos recebem R$ 3.284 e as mulheres brancas R$ 2.691.

Isso significa que as mulheres negras estão presentes em setores de menor rendimento econômico. Segundo a pesquisa do Sebrae, o trabalho doméstico é ainda a principal atividade das empreendedoras negras e só a sexta das brancas. Depois vem os setores de cabelo e beleza, restaurantes e alimentação e de serviço ambulante de alimentação – esse último nem aparece no topo da lista das brancas.

Nos setores de inovação, os mais lucrativos do empreendedorismo, apenas
2% dos cem fundadores das principais startups brasileiras são mulheres,
evidenciando que além da barreira da raça, há ainda uma enorme barreira de
gênero no meio empreendedor.

Informais e subestimadas

A informalidade também é outra característica da mulher negra
empreendedora. Enquanto 21% delas têm CNPJ, essa porcentagem é o dobro entre as
brancas. Sem isso, restringe-se o acesso ao mercado formal e ao crédito.

O mercado financeiro é mais rígido com elas, dando-lhes empréstimos de menor valor e com juros mais altos do que os concedidos aos homens, embora elas sejam menos inadimplentes.

O preconceito também está presente na hora de lidar com fornecedores. A dona da Makeda Cosméticos, Sheila de Oliveira, conta que nas feiras que frequentava com a irmã chegavam a duvidar que fossem empresárias. “Eles estão acostumados a ver mulheres negras limpando os estandes deles, não como empresárias. Sabemos disso porque já limpamos estande”, disse ela à Folha.

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Fonte: midia4p.cartacapital.com.br

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