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Mais de cem entidades se unem contra eleição do Brasil na ONU

Uma coalizão de
mais de cem instituições como indígenas, defensores de direitos humanos, juízes,
grupos anti-castristas, líderes do movimento sem-terra, LGBTQI+, católicos,
movimento negro, de mulheres, ambientalistas e entidades internacionais se unem
em um ato inédito para declarar sua preocupação com a candidatura do governo de
Jair Bolsonaro ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas
(CDH/ONU), para o triênio 2020-2022.

Diante do pronunciamento
contra os direitos humanos e contra a democracia exposto pelo presidente na
abertura da 74ª  Assembleia Geral da ONU,
o grupo pede que o Brasil não receba os votos dos países estrangeiros diante da
ofensiva de Bolsonaro.

Na semana passada,
o site Blogosfera revelou como duas entidades já tinham lançado o mesmo apelo,
algo inédito no Brasil desde a volta da democracia em 1985. Agora, a operação
ganha uma nova dimensão, aprofundando a preocupação do governo brasileiro em
relação à eleição.

De acordo com a
carta “as manifestações do governo brasileiro dando as razões de sua
candidatura afrontam a tradição brasileira acumulada há décadas nas relações
multilaterais e que sempre caminharam na defesa do universalismo dos direitos
humanos. Elas não reconhecem os direitos humanos como proteção para todos e
todas, pois se orientam pela defesa de que há “humanos do bem”,
“humanos direitos”, para os quais seriam razoáveis os direitos
humanos, e outros seres humanos, os “bandidos” e aqueles/as que os apóiam,
para que não seriam os direitos humanos. Posições deste tipo promovem a
exclusão e o ataque a sujeitos como mulheres, LGBTIs, indígenas, quilombolas,
povos e comunidades tradicionais, negros e negras, juventude e outros e outras”.

No dia 15 de
outubro será a votação onde a Assembleia Geral da ONU vai escolher os países
latinoamericanos que permanecerão no Conselho de Direitos Humanos entre 2020 e
2022, este deve ser um termômetro para a política externa do governo Bolsonaro.
Existem duas vagas e, até semana passada, apenas dois países concorriam: Brasil
e Venezuela.

Na prática, bastava
o Brasil somar 97 dos 194 votos para ser eleito. Mas o cenário mudou radicalmente
depois que o governo da Costa Rica apresentou sua candidatura.

Oficialmente, a
estratégia dos centro-americanos é a de derrotar a Venezuela de Nicolas Maduro
e, assim, impedir que Caracas continue no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo o site
Blogosfera, “dentro do Itamaraty, o temor é de que a Costa Rica roube votos do
Brasil. A lógica é de que os aliados de Maduro não irão abandoná-lo,
principalmente diante do fato de a Venezuela ser a presidente do Movimento dos
Países Não-Alinhados, que soma mais de 70 membros”.

Com o movimento de
pressão da sociedade civil a situação do Brasil ficou ainda mais complicada. Na
carta enviada aos governos, o grupo indica que “o Estado brasileiro não reúne
as condições mínimas para pleitear a renovação da sua candidatura ao Conselho
de Direitos Humanos considerando os parâmetros da Resolução da

Assembleia Geral das Nações Unidas, razão pela qual não recomendam à comunidade internacional de Estados que vote no Brasil para uma das vagas do Grupo da América Latina para o triênio 2020-2022″.

Um dos destaques do
movimento é o fato de a carta ter sido assinada por entidades que, tradicionalmente,
estiveram em campos opostos no debate políticos.

Entre os
signatários estão entidades de defesa do movimento LGBT e grupos da Igreja Católica,
por ongs anti-Cuba e pelo MST, referências internacionais como a Organização
Mundial contra a Tortura , International Institute on Race, Equality and Human
Rights ou a Washington Office for Latin America.

Outros integrantes do movimento são entidades como a FIAN Brasil, Pastoral da Juventude do Brasil, Rede Brasileira de Povos e Comunidades Tradicionais, Associação Brasileira de Saúde Mental, Comissão Pastoral da Terra, Instituto Vladmir Herzog, Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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Fonte: midia4p.cartacapital.com.br

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